QUE fatores influem nas notas do ENADE?

novembro 30th, 2009


Qual é a influência da formação dos ingressantes e da percentagem de doutores nos resultados das notas dos concluintes do ENADE?
Para verificar estas relações calculou-se a regressão entre a nota dos concluintes do ENADE na prova de conhecimentos específicos (NC) nos cursos avaliados em 2008 em função das variáveis nota dos ingressantes (NI) na prova de formação geral e no percentual de doutores (ND) variando de 0 a 100.
Por exemplo, no curso de Arquitetura, o aumento de 1 ponto na nota dos ingressantes repercute como 0,22 pontos na nota dos concluintes. O aumento de 1 ponto no percentual dos doutores corresponde a 0,15 na nota dos concluintes. Neste caso, as duas variáveis influem de forma parecida.
Em todos os cursos, exceto o de Tecnologia em Fabricação Mecânica, a nota dos ingressantes influi positivamente na nota dos concluintes, fortemente am alguns casos. Já o percentual de doutores é bastante menos decisivo, sendo negativo em 9 e menor do que 0,5 em 17 dos 30 cursos avaliados.

Categorias: Sem categoria | Nenhum Comentário

UMA UNIVERSIDADE não é um País

outubro 19th, 2009

Aproxima-se o pleito que irá escolher o novo reitor da Universidade de São Paulo (USP). Justamente neste momento de confronto de ideias típicas das campanhas políticas majoritárias, voltam à baila questões relativas às formas de eleição da mais importante universidade brasileira, que, segundo levantamento da Universidade de Shanghai Jiao Tong, na China, é a melhor colocada no item “Qualidade Acadêmica” dentre todas as latino-americanas.
Os princípios da democracia política que o Brasil vive nos fazem acreditar que o voto direto pode ser a solução de todos os problemas, até das universidades públicas. Seria, então, a eleição direta para reitor um fator determinante para a melhoria da qualidade de uma universidade pública? Essa questão esbarra inevitavelmente na compreensão de que uma universidade pública deve ser uma instituição autônoma, mas não soberana como um país democrático, no qual representantes são eleitos por todos e suas decisões incidem sobre todos.
No serviço público, os efeitos de decisões equivocadas de poucos recaem sobre a população como um todo e não só sobre a sua comunidade interna. Não faria o menor sentido se, para facilitar seu trabalho, os funcionários dos Correios decidissem, por maioria, não entregar cartas em dias ímpares! O sentido da democracia no setor público é a busca da excelência em seus serviços, uma vez que a sociedade é quem o financia e sofre por causa de seus equívocos e ineficiências.
Por essa razão, talvez, é que dentre as 50 universidades mais bem colocadas na classificação já citada (da Universidade de Shanghai Jiao Tong, na China) e que coincide com o senso comum em relação às melhores universidades do mundo, a eleição direta não é prática adotada para a escolha do reitor. Dentre elas, 37 são americanas e nelas o processo de eleição do reitor é feito por um comitê composto por representantes de segmentos da sociedade, alguns externos ao corpo acadêmico. Em enquete realizada pelo professor Jacques Marcovitch, ex-reitor da USP, boas universidades estrangeiras consultadas manifestaram-se contra o modelo de eleições diretas.
É importante que a comunidade acadêmica, a imprensa e a sociedade reflitam sobre esse fato e não tomem como óbvio o argumento de que aquilo que se denomina como “democratização”, representada pelo voto direto, induz a uma automática melhoria da qualidade das atividades acadêmicas. A realidade mundial contradiz essa tese que não tem nenhum fundamento empírico. Ao se concluir que a eleição direta não é um fator intrínseco de qualidade para as universidades, ao contrário do que pregam seus defensores, essa tese tida como uma conquista não esconderia uma visão corporativista de universidade, voltada apenas para si mesma?
Equivocadamente, entendeu-se a autonomia universitária no Brasil como a absoluta ausência de prestação de contas, na contramão da experiência internacional. Lá fora, cobram-se resultados acadêmicos e administrativo-financeiros das universidades, indicadores que se refletem, cada vez mais, em seus próprios orçamentos. Infelizmente, nossas universidades ainda não desenvolveram processos profundos de avaliação, inclusive da gestão e com forte participação externa, que sejam capazes de gerar consequências internas significativas.
Se houvesse um efetivo acompanhamento da sociedade em relação à missão das universidades, a suas metas e a seus resultados e ao impacto social de suas ações, a forma de eleição seria menos relevante, uma vez que maus resultados seriam cobrados da comunidade interna e decisões corporativistas – que não levassem em conta os interesses da sociedade – seriam coibidas.
Nas instituições brasileiras que hoje promovem eleições diretas, é comum ouvir dos gestores eleitos que, em virtude dos compromissos eleitorais, se veem limitados a fazer concessões políticas que impedem as mudanças necessárias.
Em vista disso, para que a escolha de seus dirigentes seja mais do que uma decisão politicamente correta, ou um fim em si mesmo, é preciso que a gestão da universidade seja capaz de induzir melhores resultados, garantir a qualidade dos processos internos e a defesa da meritocracia acadêmica.

Categorias: Sem categoria | 2 Comentários

UNIVERSIDADES de pesquisa no Brasil – atualização 2008

outubro 19th, 2009

Trecho do texto publicado originalmente em 2004 e atualizado para 2008
É muito importante que uma parcela das instituições de ensino superior tenha a pesquisa como seu principal foco

Nem todas as Instituições de Ensino Superior (IES) são universidades. Nem todas as Universidades são universidade de pesquisa. Nem toda a universidade de pesquisa a realiza de forma intensa. Essa é a classificação de instituições de ensino superior feita pela Carnegie Foundation for the Advancement of Teaching, fundação americana muito conceituada e que é utilizada pelas estatísticas oficiais sobre o ensino americano do National Center for Education Statistics.
As universidades que realizam a pesquisa de forma mais abrangente, na classificação da fundação americana, são denominadas “Extensive Research Universities”, onde, em 2000, se situavam 151 instituições, sendo 102 públicas e 49 privadas sem fins lucrativos.
Para atingir o status máximo de “Universidade de Pesquisa Extensiva” (entendida como uma instituição que além de realizar a pesquisa intensa, a transborda/transfere, também intensamente, por meio de sua produção e formação de recursos humanos no doutoramento) a IES tem que demonstrar, por critérios concretos e quantitativos, que realiza pesquisa científica como foco fundamental e muito bem desenvolvido, apresentando, pelo menos, quinze programas de doutorado e realizar ao menos 50 defesas de tese por ano nesses programas.
Utilizando os mesmos critérios da Carnegie Foundation for the Advancement of Teaching e os dados gentilmente fornecidos pela CAPES, foi possível identificar as Instituições de Ensino Superior Brasileiro que preencheriam os pré-requisitos da fundação americana. Fizemos este levantamento em dois momentos, a partir dos cursos reconhecidos e avaliados como satisfatórios pela CAPES (nota igual ou maior a 3), compreendendo os resultados separados por cinco anos, de 1998 e de 2003.
Além do número de “Universidades de Pesquisa Extensiva” ter crescido de 1998 para 2003, houve uma nítida descentralização geográfica desse tipo de IES. Enquanto em 1998, sete das oito Universidades se situavam na Região Sudeste e uma na Região Sul, em 2003, dez situavam-se na Região Sudeste, a Região Sul passou a ter três representantes, aparecendo a Região Nordeste com duas e a do Centro-Oeste com uma IES. O número de “Universidades de Pesquisa Extensiva” em 2003 reforça o crescimento verificado de mais de 50% da participação brasileira na produção de artigos científicos em revistas indexadas, tendo aproximadamente dobrado o número das publicações científicas e o de doutores formados.
Nos Estados Unidos as universidades de pesquisa do tipo extensivo correspondem a 3,5% das IES que oferecem diplomas de graduação de quatro ou mais anos, enquanto no Brasil esta proporção é de 1%. No Brasil, tomando a mesma proporção do que nos EUA, poderíamos ter 56 instituições deste tipo, no universo de 1584 IES (dados do INEP referentes a 2002).
O percentual de alunos matriculados nestas instituições é, no entanto, bem maior – são 14% do total de matrículas nos EUA e quase 10% no Brasil. Estes dados nos mostram que nem todas as IES num país podem se dedicar intensamente às atividades de pesquisa. No entanto, é muito importante que uma pequena parcela das instituições de ensino superior tenha a pesquisa como seu principal foco para assegurar a produção sistematizada do conhecimento, a formação de cientistas e abrigar os grupos de pesquisa produtivos, que é a missão das universidades de pesquisa extensiva.
Outra conclusão importante é que, apesar das dificuldades porque passam nossas IES, tanto públicas quanto privadas, a consolidação da pesquisa e da pós-graduação é uma realidade, principalmente no setor público – e, nele, no sistema federal de ensino e no sistema estadual paulista.
.
Observação 2008:
É importante observar que nenhuma universidade anteriormente classificada com de Pesquisa perdeu este status. A percentagem de universidades de pesquisa em relação ao total de IES permanece aproximadamente a mesma, isto é, 1%. Ingressaram na lista mais 7 universidades, sendo 5 federais, 1 estadual e 1 privada confessional. Pela primeira vez aparece uma universidade do norte do país, a Universidade Federal do Pará. Mais uma privada comunitária, a PUC do Rio Grande do Sul e uma estadual a UERJ.
Embora a Carnegie Foundation tenha alterado os critérios e as nomenclaturas de classificação mantivemos a original para analisar as IES em 2008, uma vez que buscávamos aferir a evolução do sistema de ensino superior brasileiro sob os mesmos critérios adotados anteriormente.
.
Universidades de pesquisa classificadas:
.
Em 1998
Universidade de São Paulo
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Universidade Estadual de Campinas
Universidade Estadual Paulista
Universidade Federal de São Paulo
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Univerisidade Federal de Minas Gerais
PUC – Rio de Janeiro
.
Em 2003 se juntaram a estas:
Universidade Federal de Pernambuco
Universidade de Brasília
Universidade Federal do Paraná
Universidade Federal de Santa Catarina
Universidade Federal de Viçosa
Universidade Federal Fluminense
Universidade Federal da Bahia
PUC – São Paulo
.
Em 2008, além das existentes em 2003, entraram na lista
Universidade Federal do Ceará
Universidade Federal de São Carlos
Universidade Federal do Pará
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Universidade Federal de Lavras
PUC – Rio Grande do Sul
Universidade Estadual do Rio de Janeiro
.
A presença de universidades de pesquisa por estado:
6 SP
4 RJ
3 MG
2 RS
1 BA
1 CE
1 DF
1 PA
1 PE
1 PR
1 RN
1 SC

Categorias: Sem categoria | Nenhum Comentário

ISONOMIA competitiva e engenharia

outubro 8th, 2009

Semanas atrás comentei aqui a importância de o Brasil ampliar os cursos de formação de engenheiros, mas é importante deixar claro que somente essa medida não é suficiente para alavancar o crescimento de uma nação.
Há alguns anos assisti a uma conferência do professor João Furtado, professor da Escola Politécnica da USP, que me alertou sobre a importância do conceito de isonomia competitiva.
A isonomia competitiva é definida como qualquer desigualdade que prejudique os resultados resultantes do aumento de competitividade tecnológica. Como exemplo, podemos citar o retorno proporcionado por investimentos em laboratórios de pesquisa, comparativamente bem menores do que os recursos destinados a uma boa firma de contabilidade ou uma assessoria jurídica agressiva e competente.
Da mesma forma, a criação de redes de contatos formais ou informais beneficia um segmento sem que isso seja decorrente da qualidade dos produtos. Igualmente, as políticas tributárias estaduais favorecem o lucro sem um real avanço tecnológico, e a falta de cultura da população não julga adequadamente a qualidade, sendo mais motivada pela publicidade dos produtos.
A falta de isonomia competitiva faz com que, para aumentar os lucros de uma empresa, seja mais garantido pagar a advogados do que a engenheiros, desmotivando o investimento na inovação.
Nos países sem isonomia competitiva as empresas são empresas se caracterizam por serem voltadas à renda, nos outros as empresas são voltadas à inovação.
No Brasil há 12,5% das matrículas em cursos de nível superior na área de Direito e 7,5% em Engenharias.
K. M Murphy, A. Schleifer e R. W Vishny analisaram indicadores de 35 países para realizar um estudo sobre a influência das matrículas em cursos de Engenharia e Direito no desenvolvimento econômico refletido no PIB nacional. Nestes 35 países da amostra o percentual de matrículas em Engenharia era de 12% e de Direito 7%, que pode ser considerado um padrão internacional.
Nossa distorção de matrículas entre as duas áreas já é visível aí. Como esse é um dos indicadores de isonomia competitiva, no que se refere a este indicador, o Brasil está situado bem abaixo da média internacional. Porém, mais importante, é que neste trabalho os autores demonstram que quanto maior a proporção de engenheiros maior o desenvolvimento, enquanto que o contrário acontece com o Direito, que tem correlação negativa.
Nada contra os advogados. A procura por esta profissão é um reflexo do país e não culpa dos advogados. Tão pouco é culpa dos policiais se eles são muitos em um país violento, nem dos médicos se abundam em um país onde não há boa saúde pública.
É claro que este estudo não significa que basta formar mais engenheiros e menos advogados para se aumentar a isonomia competitiva e estimular o crescimento econômico. As duas coisas dependem de regras e da cultura nacional. Essa combinação de fatores leva a mais isonomia competitiva, mais vantagem para os investimentos em inovação, maior demanda por engenheiros em relação a advogados e maior o crescimento econômico.

Categorias: Sem categoria | Nenhum Comentário

TIRANIA na atualidade

outubro 2nd, 2009

O termo “tirano” que no início significava governante, passou ainda na Grécia Antiga a ter a conotação pejorativa que tem hoje.
O tirano grego era um cidadão muitas vezes de origem aristocrática que tomava o poder com apoio popular (classe média e agricultores sem terra), contra a classe dos aristocratas que formavam a oligarquia do poder.
Carregados nos braços do povo, os tiramos ao assumirem o poder discricionário aboliam as dívidas dos pobres, dividiam terras produtivas e exilavam ou imolavam alguns aristocratas com aplausos entusiásticos e amplo apoio da maioria do povo. Enquanto se consolidava no poder tomava medidas demagógicas para satisfazer a população menos esclarecida.
Ao mesmo tempo em que pouco a pouco ocupava todos os espaços dos poderes constituídos nem sempre de forma lícita, mas inicialmente com apoio popular, depois de alguns anos, os tiranos podiam, em geral, ser vistos desfilando, sempre cercados de suas milícias mercenárias, e protegidos da força da revolta que as injustiças e violências habituais em seu governo tinham gerado.
Como não havia meios lícitos de retirar do tirano do poder, devido ao seu espectro de influência e poder de truculência, em algumas cidades gregas, matar um tirano comprovado não era crime.
Qual era o maior problema da tirania? O poder absoluto, a impunidade e a ausência de alternância do poder sempre gerou monstros políticos. Pouquíssimos se mantiveram fieis a seus compromissos iniciais quando detiveram o poder absoluto.
A história dos tiranos nos faz refletir sobre algumas ocorrências políticas no mundo contemporâneo, e na América Latina em particular.
Será que um político eleito pelo povo, que muda a constituição de seu país baseado no entusiasmo momentâneo de uma população deseducada e assistida de forma paternalista para perpetuar-se no poder – mesmo com eleições periódicas que permitem eternas reconduções – em que a imprensa, a classe política e a justiça vão sendo paulatinamente acuadas por pressões de um governo de força absoluta, impune diante da ausência de órgãos de controle independentes, difere em sua essência da tirania grega?
Para onde iremos com este tipo de liderança política?

Categorias: Sem categoria | 1 Comentário

OLIMPÍADA e PÓS GRADUAÇÃO

setembro 29th, 2009

O pleito de um país para sediar uma Olimpíada se parece com o pleito das Instituições de Ensino Superior (IES) de conseguir uma autorização para a implantação de uma pós-graduação stricto sensu.
Na pós graduação a regra é que haja linha de pesquisa consolidadas e maduras em determinada área do conhecimento para que se possa pleitear uma pós graduação stricto sensu. Isto porque a pesquisa deve preceder o programa pós graduado para que este esteja baseado em atividades já existente e possa crescer e reverter o investimento necessário em uma alavancagem da própria pesquisa que lhe deu origem.
Se não há pesquisa anterior a pós graduação só desperdiça os investimentos feitos na sua implantação, não repercutindo na IES a não ser pelo prestígio fugaz que possa trazer a seus dirigentes. A pesquisa precede a pós graduação e não o contrário!
Quando se observa o esporte olímpico brasileiro, com seus resultados medíocres (exceções existem, mas não mudam o quadro), com nossos atletas chorando ao conseguirem qualquer colocação nas finais declarando que se sacrificaram a vida toda para atingir esta posição porque nunca tiveram apoio, parece que o Brasil está na situação da IES que quer começar pela pós graduação para depois implantar a pesquisa.
No esporte, a organização esportiva do país deve preceder seu pleito a ser sede das Olimpíadas e não o contrário!
Há um longo caminho a percorrer para que o esporte brasileiro realmente faça jus e possa usufruir de uma Olimpíada local.

Categorias: Sem categoria | 1 Comentário

REDUZIR MENSALIDADES?

setembro 22nd, 2009

Reduzir mensalidades melhora o resultado financeiro das IES?

Uma das medidas clássicas para tentar melhorar os resultados financeiros das instituições de ensino superior (IES),que enfrentam um mercado altamente competitivo, é a redução direta ou indireta das mensalidades, oferecendo bolsas, descontos para pagamento antecipado, entre outras medidas.
É preciso tomar cuidado com esta saída que nem sempre traz benefícios reais. Na verdade, o aumento no número de matrículas pode gerar resultados negativos. O problema é que cerca de 50% dos gastos de uma IES são variáveis, aumentando conforme o número de alunos.
Um simples cálculo mostra que o resultado financeiro de uma instituição de ensino só aumenta com a redução da mensalidade se a elasticidade da demanda for negativa e menor do que – 2. Isto é: para cada 10% de redução da mensalidade a IES precisa ter a certeza de que aumentará o número de alunos em pelo menos 20%. Será que isso acontece com a sua IES? Pense bem. Olhe o valor das mensalidades da concorrência e faça um levantamento com seus alunos. Pergunte a uma amostra de alunos, quem iria embora se a IES aumentasse em 10% suas mensalidades. Quantos por cento mudariam de instituição? Tira-se daí a elasticidade para usar na hipótese de redução das mensalidades.

Categorias: Sem categoria | 2 Comentários

ENADE – CPC E IGC

setembro 11th, 2009

Cuidado na hora de interpretar os números do ENADE, CPC e IGC, instrumentos de avaliação do ensino superior brasileiro.

É cada vez mais freqüente a interpretação equivocada dos resultados dos processos de avaliação do MEC pela Imprensa e pela população em geral. O próprio MEC também é responsável por esta incompreensão, porque não esclarece devidamente o real significado de suas avaliações e de seus indicadores.
Todos os indicadores (notas) de 1 a 5 atribuídos ao ENADE, CPC e IGC baseiam-se em posições relativas. Isto é, os resultados são, essencialmente, colocados segundo curvas normais, que se subdividem em segmentos, mais ou menos como se fazia no início do Provão, em que 8% tinham A, 12% B, 40% C, 12% D e 8% E.
Não há medida absoluta, por isso não se pode dizer que um curso conceito 1 (ou E, no Provão) é em si um curso ruim. Tão pouco é seguro afirmar que um curso 5 (A no Provão) é excelente. Eles são ruins em relação aos demais ou excelentes em relação aos demais.
Não há nota absoluta, ou de corte, como nos exames profissionais em que uma nota mínima determina o limite da aprovação. Os indicadores do MEC são provas classificatórias e não de suficiência.
Sempre haverá um certo número de notas 1 ou 5, mais ou menos constantes ao longo do tempo, independentemente da nota absoluta obtida pelos alunos de uma instituição ou curso. Sempre haverá um certo número de cursos notas 1, 2, 3, 4 ou 5.
Se em uma determinada área todos os cursos forem internacionalmente reconhecidos como de boa qualidade, ainda assim haverá um certo número que teria notas iguais ou conceitos semelhantes aos de outra área onde todos os cursos fossem considerados péssimos em uma comparação internacional. Não há julgamento de competência absoluta nos indicadores do MEC.
O que se pode comparar são cursos entre si, instituições entre si, desempenho dos diferentes Estados ou tipos de instituições entre si (pública com privada, universidades com faculdades).
Nestes instrumentos de avaliação da educação nada é absoluto!

Glossário:
Enade – Exame Nacional de Desempenho de Estudantes
CPC – Conceito Preliminar de Curso
IGC – Índice Geral de Cursos

Categorias: Sem categoria | 2 Comentários

FORMAÇÃO de novos engenheiros

agosto 25th, 2009

Quem viu o presidente Lula posar ao lado de grandes líderes mundiais em encontros recentes do G10 pode ter sido levado à falsa conclusão de que apenas esse movimento na mídia internacional possa ser suficiente para projetar o Brasil para a fase de desenvolvimento que o incluiu na sigla BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Criada há quase dez anos atrás pela equipe do economista-chefe do banco Goldman Sachs, Jim O’Neill, a sigla se refere aos quatro maiores mercados emergentes e seu potencial de crescimento.
No mundo real, há indicadores de sobra que nos colocam abaixo da média dos demais países do BRIC, entre eles, o número de novos engenheiros formados por ano. Inegável que a força da engenharia num país está estreitamente ligada à capacidade de inovação tecnológica e à competitividade industrial. Segundo o INEP, o número de engenheiros formados no Brasil em todas as suas especialidades em 2007 não atingiu a cifra de 40 mil, sendo que, quase 50% foram formados em IES públicas, ao contrário de outras áreas em que 2/3 se formam em IES particulares.
Como explicar esse fenômeno? É simples. O custo da mensalidade é elevado por causa dos laboratórios e estágios, o que reduz a demanda do setor privado e tem levado ao fechamento de vários cursos. Por isso, entendo que seria importante que o governo adotasse uma política agressiva para incentivar a formação de engenheiros pelo setor privado, utilizando o mecanismo de compra de vagas em bons cursos, desonerando IES e estudantes. As instituições comunitárias seriam boas candidatas iniciais. O custo seria muito menor do que a alternativa do próprio governo de criar vagas de engenharia no setor público.
Uma solução assim nos faria diminuir um pouco a distância que nos separa, neste item, de nossos parceiros no BRIC que formam muito mais engenheiros por ano do que o Brasil: Índia – 200 mil (cinco vezes mais); Rússia – 120 mil (três vezes mais) e China – 300 mil (7,5 vezes mais).
.
LEIA NO SITE DA LOBO E ASSOCIADOS (CLICANDO NO LINK ABAIXO), A PROPOSTA PARA INCENTIVO À FORMAÇÃO DE ENGENHEIROS NO BRASIL

Categorias: Sem categoria | Nenhum Comentário

BRINDES para atrair alunos

agosto 20th, 2009

“Li na Folha de S. Paulo de 19 de agosto, reportagem que coloca em discussão a ação de algumas IES brasileiras para atrair alunos, oferecendo a eles brindes eletroeletrônicos, maior conforto no ambiente universitário e facilidades para frequentar as aulas.
Tem de tudo: celular, MP3 player, Ipod, academia de ginástica, babá, ar-condicionado, cadeira estofada…
E quem disse que as Instituições de Ensino Superior não podem oferecer conforto e brindes aos seus alunos? Só não podem se esquecer da qualidade do ensino, do conteúdo, da formação dos estudantes, que é a missão das IES.
E os recursos que irão bancar essas despesas não devem ser remanejados do investimento na modernização em sua infra-estrutura voltada à tecnologia da informação, biblioteca e laboratórios; tão pouco da verba de custeio, cujo equilíbrio é primordial para uma IES.
É papel das IES estar plenamente sintonizadas com o mundo moderno, em que um eletroeletrônico portátil está na rotina das pessoas; que a prática de uma atividade física regular é recomendável para manter a saúde e que, diante da nova realidade da mulher no mercado de trabalho, ter um lugar adequado para deixar o filho, é fundamental para que ela também possa estudar.
De nada adianta ter um celular moderno que se ganhou ao ingressar num curso, se o conteúdo não forma o profissional para o mercado; se não oferece diferenciais que irão destacar aquele estudante entre tantos outros que disputarão o mesmo espaço, em busca de uma oportunidade.
Para que serve uma ótima academia de ginástica à disposição para manter a forma física, se na sala de aula faltam os recursos mínimos para que os professores consigam dar suas aulas?
Não podemos imaginar uma IES parada no tempo, que mantenha quase intactos antigos quadros de giz e carteiras de madeira em salas mal iluminadas, preservados como fossem os melhores referenciais de tradição no ensino que uma instituição pode ter.”

Categorias: Sem categoria | 2 Comentários