AS REDES INTERNACIONAIS E O FUTURO DO ENSINO SUPERIOR

abril 8th, 2011

AS REDES INTERNACIONAIS E O FUTURO DO ENSINO SUPERIOR*
O ensino superior brasileiro, após um longo período de estagnação e um crescimento médio, até 1996, de cerca de 1,3% ao ano passou por um amplo processo de crescimento chegando a atingir 17% em 2000. Este período se caracterizou pela ampliação do setor privado.
Ao contrário do que fizeram, por exemplo, os Estados Unidos (que criaram centenas de faculdades regionais públicas – os community colleges) o sistema público brasileiro cresceu em duas direções: as universidades de pesquisa (nem sempre fazendo juz à denominação) e os centros de formação tecnológica (como alternativa profissionalizante atendendo à população em geral menos favorecida) .
O sistema público não quis atuar no setor das profissões tradicionais, com cursos mais baratos, noturnos, poucos professores titulados e prioritariamente em tempo parcial e as instituições privadas, a maioria particulares, acabaram por assumir, com este modelo, a formação superior, suprindo uma demanda, em geral, academicamente menos preparada e financeiramente mais frágil.
Este mercado se tornou promissor para grupos, alguns com capital internacional, que viram aí uma oportunidade para expandir fortemente suas fronteiras.
Embora a expansão do ensino superior tenha se reduzido significativamente a partir de 2007 – o que pareceria desaconselhar novos investimentos na área – para esses grupos as condições ainda se mantêm atraentes, uma vez que sua expansão em altos índices vem sendo mantida pela compra de universidades e de faculdades regionais, muitas vezes familiares e/ou com gestão pouco profissionalizada.
O ensino superior de massa torna-se um negócio atrativo para as grandes redes pela possibilidade de ganhos de escala pelo incremento do número de alunos, atraidos pelos preços de mensalidade e do material didático, localização e altos investimentos em marketing agressivo.
O mesmo se deu, por exemplo, com as redes de supermercado que se expandiram, sem necessariamente se expandir o mercado consumidor, se bem que lojas de especiarias permaneçam vivas, o que no ensino superior corresponde às instituições focadas, com mensalidades altas, tecnologia de ponta, professores bem pagos e marcas muito valorizadas.
Cabe buscar resposta a uma pergunta importante: esse grande mercado de massa que o Brasil precisa formar em nível superior (não em universidades de pesquisa!) deve ser atendido basicamente por este novo modelo de organização de grandes redes, sejam elas criadas/mantidas, ou não, com apoio dos private equity funds?
Se a resposta for sim, deveríamos ser capazes de provar a seguinte tese: a busca de redução sistemática de custos e a alta remuneração do capital permitem um ensino de qualidade e explicar, então, porque o setor público gasta tanto para atender a tão poucos e não cria suas próprias redes nesses moldes.
Se não, precisamos apontar soluções, com urgência, para evitar as consequências nefastas para o futuro da qualidade e da abrangência do ensino superior, pois, diferentemente do que ocorre na produção de bens ou na prestação de outros serviços, seus resultados demoram a aparecer e não é possível devolver o “produto que apresentar defeito de fabricação”.
*Profª Maria Beatriz de Carvalho Melo Lobo
Psicóloga, foi Vice-reitora da UMC. É Vice – presidente do Instituto Lobo
*Prof. Roberto Leal Lobo e Silva FilhoEngenheiro, foi Reitor da USP e da UMC. É Presidente do Instituto Lobo
Publicado na Folha de São Paulo, 24/9/2010

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Manchete infeliz

julho 30th, 2010

Bastante infeliz a manchete da folha de S. Paulo do dia 30/6: “Em 20 anos, sobe 39% proporção de mortes neonatais”. A manchete não está literalmente errada, mas passa para a opinião pública a falsa impressão de que a situação do neonatal piorou.
É o que a lingua inglesa define como “misleading”. Na verdade, enquanto a mortalidade no primeiro ano de vida caiu de 95.476 para 43.061, no caso da mortalidade neonatal houve uma diminuição de 46.783 para 29.649 por ano. A mortalidade neonatal caiu menos do que a relativa ao primeiro ano de vida mas, ainda assim, foi reduzida em 37%. É um fato positivo e não negativo, como insinua a matéria. A manchete citada é, na minha opinião, deseducativa e o teor da matperia não soube elucidar bem a questão para diminuir o impacto negativo que ela induz.
Para exemplificar, suponhamos que temos 20 moedas das quais 20% são de ouro, ou seja, 4 moedas. Se perdermos 10 moedas (50%) sendo 1 de ouro (25%), a proporção de moedas de ouro passou de 20% do total (4/20) para 30% (3/10), o que não significa que aumentaram as moedas de ouro – aumentou somente a sua proporção. É o mesmo caso da mortalidade infantil! A relavância está na perda das moedas e não no aumento relativo das moedas de ouro.

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julho 5th, 2010

A IMPORTÂNCIA DA QUALIDADE DO INGRESSANTE E DAS HORAS DE ESTUDO NOS RESULTADOS DO ENADE

Roberto Leal Lobo e Silva Filho
Maria Beatriz de Carvalho Melo Lobo

Os resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes – ENADE para os cursos de Engenharia Civil de 2005 (o último com microdados disponível para o público em geral) foram analisados pelo Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia, com a finalidade de determinar a influência de fatores culturais e comportamentais no desempenho dos concluintes dessa área.
Para isso, determinou-se quais teriam maior influência nos resultados, dentre os fatores levantados nos questionários do ENADE, por meio de um levantamento de correlações.
Os resultados utilizados foram aqueles relativos à prova de Conhecimentos Específicos para os Concluintes que é voltada à avaliação das competências profissionais.
Os indicadores relacionados à bagagem cultural e aos fatores comportamentais do estudante que tiveram o maior resultado nas correlações com a nota de Conhecimentos Específicos foram, respectivamente, o Conhecimento da Língua Inglesa e as Horas Semanais de Estudo, ambos medidos em escala crescente de números inteiros de 1 a 5 nos questionários do ENADE respondidos pelos alunos concluintes.
Na pergunta “Como é seu conhecimento de língua inglesa?” a nota 5 corresponde a “Leio, escrevo e falo bem” e a nota 1 corresponde à resposta “Praticamente nulo”. No quesito “Quantas horas por semana, aproximadamente, você dedica aos estudos, excetuando as horas de aula?”, a nota 5 corresponde a mais de 8 horas e a resposta 1 é “Nenhuma, apenas assisto às aulas”.
Os dois fatores foram somados em uma nova variável chamada “V” (distribuída uma escala de 2 a 10) que é comparada com o desempenho dos estudantes na prova mencionada acima.
Os resultados demonstram, claramente, que os dois fatores são importantes mas que é a combinação dos dois um elemento decisivo para a obtenção de desempenho superior dos estudantes analisados: bagagem anterior medida pelo domínio do inglês e dedicação aos estudos.
O Gráfico apresenta a percentagem de estudantes – por faixa de nota no ENADE (de zero a cem) – que se situava em um dos três conjuntos de valores inteiros de variáveis: de 2 a 4, de 5 a 7 e de 8 a 10. Verifica-se, com toda a clareza, a forte correlação entre as duas variáveis e os resultados alcançados.
Por exemplo, somente 5% dos estudantes com nota superior a 72,5 estavam na faixa de 2 a 4, enquanto 75% estavam na faixa 8 a 10. Por outro lado, dos estudantes que tiraram menos de 12,5 de nota no ENADE a metade (50%) estava na faixa de 2 a 4 e somente 10% na faixa de 8 a 10.

Em resumo, tanto a bagagem cultural do estudante quanto sua dedicação aos estudos se refletem diretamente na possibilidade de sucesso nos exames de avaliação de conhecimentos específicos do ENADE.
Mesmo que muitas Instituições de Ensino Superior (IES) tentem menosprezar a importância do ENADE (o que seria um equívoco diante dos diversos estudos realizados a partir dos seus resultados), é certo que ele pode ser (se disponibilizado de forma tempestiva e com todas as informações necessárias para fazer esse tipo de correlação) um dos orientadores que deveria ajudar as IES a traçarem políticas e definirem ações para a melhoria do ensino.
Não podemos nos enganar achando que é possível pensar em qualidade quando se sabe que 71% dos alunos de Engenharia no Brasil afirmam estudar (e não quer dizer que realmente o façam) menos de 5 horas por semana (ou seja, uma hora por dia nos 5 dias da semana).
Como se sabe que não se aprende nada, de fato, sem um real esforço adicional do aluno na sua dedicação aos estudos e, por isso, todas as demais medidas pedagógicas passam a ser secundárias em relação a esse fato.
No caso das Engenharias, apesar de serem aspectos amplamente conhecidos, vale ressaltar portanto (e novamente) que algumas questões assumem imensa relevância para evitar a evasão e fazer com que o aluno aprenda, enfim, para o sucesso do curso:
ü A importância de captar os melhores alunos, não importa de qual origem, pois a qualidade do egresso depende muito da qualidade do ingressante.
ü A necessidade de trabalhar com o aluno real, conhecer as suas deficiências e criar Programas Específicos de complementação de conteúdos realmente necessários ao acompanhamento dos cursos.
ü A inexorabilidade da exigência e do incentivo ao estudo do aluno muito além do que ele assiste em sala de aula.

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A inteligência de uma nação

julho 5th, 2010

A inteligência de uma nação

Roberto Leal Lobo e Silva Filho*

A capacidade de um indivíduo resolver problemas ou se posicionar corretamente diante de novos desafios é o que se chama de inteligência e geralmente não é distribuída igualmente entre todas as áreas de atividades, sendo mais pronunciada em umas do que em outras, segundo Howard Gardner, que em seus estudos definiu sete tipos básicos de inteligência.
A capacidade de um país resolver problemas ou se posicionar corretamente diante de novos desafios é a inteligência de uma nação. Esta inteligência faz com que o povo seja capaz de escolher melhor, elemento indispensável para a democracia, saiba exigir seus direitos e fiscalizar seus representantes, compreenda o papel da preservação ambiental e da ética na organização social.
Sabe-se que a inteligência de uma pessoa depende de fatores genéticos e ambientais (onde se situam, com relevância, os fatores culturais). Os fatores genéticos são razoavelmente aleatórios, porque dependem das combinações aleatórias dos genes dos pais, que as herdaram dos avós, e assim por diante, podendo sofrer mutações e erros de cópias de trechos de DNA’s.
Os fatores genéticos são, portanto, de difícil controle e está cada vez mais claro que a variabilidade genética é mais importante dentro de uma mesma população do que entre populações. A etnia e o sexo não se mostram como fatores relevantes em experiências que foram conduzidas com os necessários cuidados para isolar corretamente essas variáveis.
Os fatores ambientais se mostram cada vez mais importantes em relação aos fatores genéticos, porque se pode atuar sobre eles. Seu principal componente é a educação!
Nos Estados Unidos, onde a maioria das estatísticas sobre a inteligência vem sendo compilada, o índice de QI (que mede as inteligências linguística, lógico-matemática e espacial) para populações como a judia e a asiática, demonstra que os judeus têm resultados nos testes de inteligência de quase um desvio padrão acima da população branca, em geral. Da mesma forma, os jovens de origem asiática ficaram quase um desvio padrão acima da média americana nos exames de conhecimentos.
Parece haver aí uma contradição: seria a etnia, então, o fator mais importante? A resposta é não!
Estes resultados são uma demonstração de que a valorização da educação no lar e na escola faz toda a diferença e estes povos têm esta tradição. Está provado que crianças de origem modesta que tinham QIs bastantes inferiores têm grande aumento de desempenho nos testes quando criadas em ambientes mais cultos e exigentes. Muito mais que a genética, é a cultura de um povo que faz a diferença.
Está cada vez mais claro que o esforço, a autodisciplina e a combinação da educação formal e da informal (uma criança de família culta ouve em casa 50% mais palavras do que a de uma de família comum) são os principais fatores para a elevação das inteligências.
Estudos recentes sobre desempenhos excepcionais em qualquer área, científica, artística, cultural ou esportiva identificaram que eles dependem de muito trabalho, cerca de 10.000 horas ao longo de 10 anos junto a um bom professor nos anos iniciais, que seja caracterizado pela modéstia e firmeza de caráter, que não acolha o erro sem reação e que estimule mais do que repreenda.
Resultados das neurociências indicam que o estudo sistemático, prolongado e executado com seriedade “pavimenta” vias preferenciais nas ligações neuronais, criando um depósito de uma substância gordurosa, a mielina, capaz de assegurar a repetição perfeita do percurso do estímulo nervoso e a rapidez na transmissão, que pode chegar a 100 vezes a do tempo normal de pessoas que não tiveram esse mesmo percurso de aprendizado. O cérebro de Albert Einstein, que era de volume nada excepcional, tinha, no entanto, camadas de mielina muito acima do comum.
Em nosso País, perdemos as referências. Escolas como o excelente Pedro II não existem mais como paradigmas do ensino. A disciplina e o esforço de professores e alunos não são valorizados. Estamos aumentando nossa sensibilidade para os deficientes físicos e mentais, o que é muito bom, mas temos diminuído a nossa sensibilidade para a excelência – o sucesso é mal visto por aqui.
Precisamos aprender com povos que tiveram sucesso na educação de sua juventude, alcançando resultados imprevisíveis para as circunstâncias (por vezes bem desfavoráveis), em que se encontravam. Talvez por isso, valorizam a educação como fator de sobrevivência! Ela também será o fator essencial para sermos um país bem sucedido e realmente democrático, no sentido de oferecer iguais oportunidades para todos!

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Considerações sobre o artigo: “Escassez de Engenheiros: realmente um risco?”

julho 5th, 2010

Considerações sobre o artigo: “Escassez de Engenheiros: realmente um risco?”
Roberto Leal Lobo e Silva Filho

Em recente publicação denominada “Escassez de Engenheiros: realmente um risco?”, publicado na sexta edição da revista RADAR, do IPEA, os autores informam que realizaram um pequeno ensaio sobre a evolução do emprego de engenheiros nos últimos anos no Brasil e s perspectivas para os anos futuros, dado que os cenários alarmantes costumam colocar o engenheiro como figura central do que classificam de “apagão de mão de obra qualificada”.
O artigo inicia identificando o requerimento técnico por engenheiro para a formação do produto interno bruto entre 2003 e 2008, comparando a evolução de engenheiros e de PB no período. Em seguida, por intermédio de uma regressão logarítmica,entre emprego de engenheiros e PIB, foram projetadas as quantidades de engenheiros potencialmente requeridas a cada ano entre 2009 e 2022, pra três cenários distintos, 3% de crescimento do PIB, 5% e 7%.
As projeções levaram e conta apenas as pessoas empregadas em ocupações identificadas como próprias dos “engenheiros, arquitetos e outros profissionais”, baseados em dados da Rais.
O número de formandos na área de formação denominada Engenharia, Produção e Construção foi extrapolado a partir dos dados de 1999 a 2008 para o período de 2009 a 2022.
A seguir os autores discutem o número de formados em um determinado período (2000 a 2008), em relação ao número de profissionais destas áreas em 2008, concluindo que somente 1 para cada 3,5 profissionais está presente no mercado específico de trabalho, ou seja, busca uma relação entre profissionais ativos e formados por ano. Este dado é obtido por uma regressão linear relacionando, anualmente, o número de profissionais e o número de formandos para a área considerada.
A conclusão dos autores é que para um crescimento de 3% do PIB a taxa de formação atual de profissionais é suficiente, para um crescimento de 5% do PIB, seria necessário atrair mais profissionais para o mercado específico, diminuindo a relação 1 para 3,5 para 1 para 2,5.
O artigo, portanto, defende a tese de que não há necessidade de formar mais engenheiros, dependendo do crescimento do PIB, mas que bastaria valorizar a profissão, aumentando sua atratividade para fazer com que mais formados se mantivessem trabalhando na área. É indiscutível que para aumentar o número de engenheiros em atividade reduzir o número de formados que exercesse atividades profissionais em outras poderia uma estratégia, se ela realmente se mostrasse viável, embora pudesse resultar no desabastecimento de mão de obra qualificada para outros setores da economia onde a formação técnica do engenheiro se adapta muito bem.
Estendido o propósito do trabalho e a metodologia empregada há várias questões que merecem ser analisadas.
Inicialmente, cabe assinalar que a relação 1 para 3,5 considerada como um problema brasileiro, se manifesta igualmente em países mais avançados tecnologicamente do que o Brasil. No EUA, este número é de um para três, como aqui, porque o engenheiro tem uma formação que o permite atuar em vários ramos de atividade, tanto em áreas técnicas como de gestão. Dificilmente, esta razão se modificará.
“About one-third of the employed people identified as scientist and engineers in the SESTAT surveys work in an S&E occupation”, dados da National Science Foundation, Division of Science Resources Statistics, 2002.
Admitindo esta realidade, o crescimento do PIB brasileiro provavelmente será efetivamente limitado por um apagão de mão de obra qualificada, a menos que aumente o número de engenheiros formados anualmente.
Quando se trata da área considerada no estudo do IPEA, denominada Engenharia, Produção e Construção pelo INEP, é preciso observar que ela inclui arquitetos, tecnólogos, produção de jóias, téxtil e indústrias do vestuário, entre outras. O requerimento técnico também inclui além de engenheiros profissionais de áreas correlatas como arquitetos, tecnólogos de nível superior, docência em engenharia, geofísica, biotecnologia, metrologia e outras.
Em estudo anterior, identificamos como engenheiros e formados e engenharia, as profissões assim rotuladas nos censos do INEP, por meio de filtragem da palavra Engenharia. Os tecnólogos de nível superior, profissões novas e ainda não regulamentadas, podem distorcer as estatísticas de crescimento introduzindo setores pouco relacionados com a formação necessária do engenheiro, não permitindo boas comparações.
É discutível, também, a relação direta entre o número de engenheiros, incluindo as profissões afins ou não, e o crescimento do PIB. Há, certamente, mais variáveis a considerar e outros fatores podem estar estimulando a procura pela engenharia do que o crescimento do PIB. Vamos entretanto aceitar como verdadeira esta relação.
Por estas razões, refizemos os cálculos apresentados no trabalho do IPEA baseados nas seguintes hipóteses:
1- Há uma relação logarítmica entre o requerimento técnico por engenheiros, arquitetos e profissionais correlatos e o crescimento do PIB;
2- É possível extrapolar o número de engenheiros formados nos próximos anos a partir da evolução histórica de 1999 a 2008;
3- É possível relacionar o requerimento técnico por engenheiros, arquitetos e profissionais correlatos e o número de engenheiros formados;
4- É possível prever a necessidade de engenheiros a partir da hipótese 1 como resultado de cenários que consideram diversas taxas de crescimento do PIB;
5- Como conseqüência, é possível comparar o número de engenheiros formados em um ano futuro com a crescimento do PIB.

Pode-se mostrar que para o crescimento do PIB de 3% ao ano, o crescimento do requerimento de profissionais aumenta a taxas de 5% ao ano, enquanto que para um crescimento do PIB de 5%, este aumento é de 8%, ou seja, o número de profissionais requisitados pelo mercado aumenta a taxas maiores do que o PIB.
Admitindo-se, como faz o grupo do IPEA, que o crescimento do número de formados em engenharia cresça linearmente (como é a hipótese do IPEA) pode-se, a partir dos dados do censo, prever que em 2015 o Brasil deverá formar 44.050 engenheiros, para uma necessidade de 46.511, se o PIB crescer a 3%, e 53.402, caso o PIB cresça 5%, anualmente. A necessidade será de 62.439 formados em engenharia para um crescimento anual de 7%.
Portanto, ainda que se aceite os argumentos e a metodologia dos autores, pode-se igulamente chegar à conclusão, provavelmente mais próxima da realidade, de que precisaríamos aumentar significativamente a produção de engenheiros (21%) para poder dar conta de crescimentos maiores do que 5% ao ano, o mínimo que se esperaria para que o Brasil pudesse manter sua posição ou avançar relativamente ao conjunto das nações. Um crescimento médio de 7% do PIB, anualmente, exigiria um aumento de 41% no número de engenheiros formados.
Os planos de investimento do Governo Federal como o PAC, por exemplo, correrão sério risco de insucesso se não for aumentada significativamente a quantidade e a qualidade dos engenheiros formados no Brasil.

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Como a Amazônia é apresentada no American Museum of Natural History!

maio 5th, 2010

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Doutores nas Universidades do norte-nordeste: o comentário completo para o Estado de S. Paulo

maio 5th, 2010

Fui convidado pelo jornal O Estado de S. Paulo a enviar minha opinião sobre a carência de doutores nas universidades federais do Norte e Nordeste. Escrevi o texto anexo, do qual foi extraída somente uma pequena parte para publicação na matéria do jornal, por razões compreensíveis de espaço e de linha editorial. Entendo que o texto completo merece ser conhecido integralmente uma vez que apresenta dados e opiniões que considero relevantes e que não foram apresentados na matéria do jornal

A Constituição de 1988 garantiu às universidades a autonomia como contrapartida à maturidade que estas instituições deveriam demonstrar por meio da integração de intensas atividades de ensino, pesquisa e extensão, conduzidas por um corpo docente maduro e capacitado. E a LDB estabeleceu que para se transformar ou continuar a ser uma universidade, a instituição deveria ter pelo menos 1/3 de professores em regime de tempo integral, 1/3 de mestres ou doutores, e uma pesquisa científica institucionalizada.
No entanto, a pesquisa científica não se dá somente em função da titulação do professor ou das exigências legais. É preciso que o professor trabalhe em um ambiente propício, que possa interagir com colegas bem formados e ativos, participe de congressos científicos, tenha infraestrutura adequada e informação científica em geral, e que seja estimulado e cobrado a realizar pesquisas competitivas.
Mesmo assim, se estas condições podem de fato repercutir na produtividade científica, ainda não asseguram que esta se transforme em desenvolvimento econômico e em inovação. O Brasil está bem situado na produção científica, mas nossas patentes nos colocam muitíssimo abaixo de outros países do mesmo nível de nosso PIB. Ou seja, por várias razões, nossas pesquisas não produzem resultados proporcionais para a sociedade.
As regiões Norte e Nordeste sempre se queixaram, às vezes com razão, de que não têm recebido do Governo Federal o tratamento devido. Embora menos aquinhoadas, as Universidades Federais das regiões Norte e Nordeste não apresentam índices que inviabilizem a realização de pesquisa, se outras condições forem satisfeitas.
As Universidades Federais apresentam a média de 54,46% de doutores no Brasil, a região Norte tem 34,99% e a Nordeste 46,38%. Se computados mestres e doutores estes percentuais se elevam para 79% no Brasil, 70% no Norte e 72% no Nordeste contra 83% no Sudeste e 84% no Sul.
No entanto, segundo dados do Ministério da Ciência e Tecnologia, até 2005 os investimentos estaduais em C&T nas regiões Norte e Nordeste eram muito reduzido (R$ 68 milhões anuais no Norte e R$ 393 milhões no Nordeste). Tem havido uma recuperação desde então, que deveria se manter crescente. Em 2008, a região Norte investiu R$ 245 milhões e a Nordeste R$ 732 milhões, enquanto a Sudeste aplicou R$ 5,2 bilhões.
Nas Universidades Estaduais do Norte somente 12% dos professores são doutores, 20% no Nordeste, enquanto no Sudeste são 73%. Os Estados precisam, portanto, fazer a sua parte, do contrário, seus professores (em muitos destes estados, mesmo com as honrosas exceções, contratados muitas vezes em regime de dedicação exclusiva), só terão atividades de ensino, que mal preenchem 50% da jornada de trabalho, para as quais os doutores não são realmente indispensáveis e pouco contribuem para a realização de pesquisas realmente competitivas, que é o que interessa nesse caso.

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FORMAÇÃO de Engenheiros

março 16th, 2010

No dia 25 de agosto de 2009, postei aqui uma matéria sobre a necessidade de aumentar o número de engenheiros formados para que não houvesse carência destes profissionais durante o período que pode se caracterizar pelo esperado crescimento econômico do Brasil.
A matéria, pouco modificada, foi publicada na Folha de São Paulo, que no dia seguinte apoiou a idéia em seu editorial. Pouco depois, fui chamado para apresentar estas idéias no programa dirigido por José Paulo de Andrade, “Manhã Bandeirantes”.
Pouco depois, em Brasília, comentei o tema com o professor Jorge Guimarães, presidente da CAPES, que me informou que havia um grupo pensando neste assunto, que imediatamente incorporou minha proposta. Com a Presidência da CAPES e este grupo, a idéia apresentamos ao Ministro Haddad, que foi muito receptivo. Foi solicitado, então, pelo Ministro que o grupo preparasse uma proposta formal. Para isso, foi criado um grupo de trabalho específico pela presidência da CAPES em 5 de fevereiro de 2010, do qual fiz parte, juntamente com os coordenadores de área de Engenharia da CAPES, do CNI e das instituições comunitárias.
O projeto, denominado “Plano Nacional Pró-engenharia”, foi entregue pelo grupo acima descrito, juntamente com o professor Jorge Guimarães, ao Ministro da Educação no dia 25 de fevereiro último.

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AQUECIMENTO Global

janeiro 4th, 2010

O grande problema com o aquecimento global é que a ciência do clima ainda não é uma ciência madura. Até mesmo o que se considera como medida da temperatura média da superifície da terra é assunto controvertido. Por isso, qualquer projeção é perigosa. Os dois lados, os que defendem o relatório IPCC e os que o atacam, forçam a barra, mas quem força mais, a meu ver, são os alarmistas do aquecimento. Já vi várias medidas e gráficos em que dados, medidas ou partes temporais são surpimidos, dos dois lados. O maior risco desta discussão apaixonada, com certezas tão antagônicas, é que a ciência perca a credibilidade diante da população, com declarações públicas de caráter sensacionalista, baseadas claramente em posições ideológicas, interesses políticos ou financeiros. Acho que a ciência do clima só alcançará maturidade dentro de algumas décadas, e até lá precisamos monitorar preventivamente nossos poluentes (por falar nisso, CO2 não é poluente) e os resultados das atividades de uma população que não para de crescer, fazer muitas medições e testar muitas teorias para saber realmente para onde ir.

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ATUALIZAÇÃO da postagem "Matrículas em EAD" (com dados de 2008)

novembro 30th, 2009

Segundo o professor da Universidade de Harvard, Clayton Christensen, a EAD é uma tecnologia de ruptura no ensino. Admitindo a forma verificada para o crescimento de tecnologias de ruptura, é possível estimar que, mantidas as atuais circunstâncias, as matrículas de EAD no ensino superior no Brasil superarão as presenciais entre 2.011 e 2.012. Além disso, um curso em EAD custará então 70% do que custa hoje e, em 2016, a metade.

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