DESCOBRINDO VOCAÇÃO

junho 16th, 2011

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O dinossauro-zebu
Edição 283 – Mai/09


A liberdade artística permite colocar juntos o Uberaba-titan e uma vaca zebu, sem ligar para os milhões de anos entre eles. O lugar é o mesmo, só que, no tempo dos dinossauros, a região era seca, quase desértica

Na edição de julho do ano passado, a revista inglesa Palaeontology traz, num artigo de 20 páginas, assinado por um cientista brasileiro e um argentino, a informação da descoberta do Uberabatitan ribeiroi. O local da descoberta está no nome – Uberaba, Minas Gerais. Faltou falar de uma coincidência incrível: o dinossauro gigante do Brasil foi encontrado na formação geológica das terras da mesma fazenda – Fazenda Cassu – onde se fez há 102 anos, quer dizer, em 1906, a primeira exposição de zebu em nosso país, exposição essa que deu origem à famosa e importante ExpoZebu, que se realiza todo mês de maio em Uberaba.

Por volta de 1906, nosso gado era todo de origem europeia. No clima brasileiro e, mais ainda, nas pastagens nativas de má qualidade, esse gado tinha definhado a ponto de uma vaca criadeira pesar 140 quilos aos cinco anos. Hoje, com o zebu, um garrote de dois anos – como se deu com Gero, da Fazenda Nova Índia – chega, em condições especiais, a mil quilos em dois anos. A transformação do zebu no boi brasileiro – hoje, de 80% a 90% de nosso rebanho carrega sangue predominante de zebu – teve, nessa primeira exposição da Fazenda Cassu, um de seus marcos históricos mais significativos. Usando sangue de nelore, gir e guzerá, que buscava diretamente na Índia, a Fazenda Cassu queria formar uma raça de ‘zebu nacional’ (como os americanos acabaram fazendo com o brahman) que fosse o mais pesado dos zebus. Essa raça devia chamar-se induberaba, mas, na hora do registro no Ministério da Agricultura, o nome passou para indubrasil.

desco

Outra coincidência: mais de 60 anos atrás (como veremos logo adiante) foi encontrado o primeiro dinossauro de Minas (um parente do Uberabatitan, ou quem sabe ele mesmo) num desvio ferroviário na própria Fazenda Cassu. Duas coincidências, mas que não são as únicas.

O anúncio da descoberta do Uberabatitan (‘titan’ é uma palavra grega que significa gigante) se deu na Casa da Ciência da Universidade Federal do Rio de Janeiro, dia 24 de Setembro de 2008. Foi notícia de destaque em todos os telejornais do dia e ganhou primeira página nos jornais impressos do dia seguinte, além de 10 mil citações na internet.

No Jornal nacional, da TV Globo, no dia do anúncio, Willian Bonner deu assim a notícia: ‘Uma réplica do maior dinossauro já descoberto no Brasil foi apresentada hoje no Rio’. Aparecem imagens do esqueletão montado para esse acontecimento com a voz da repórter Sandra Passarinho: ‘Um dinossauro desse tamanho no Brasil só se via em filme. Ao vivo é outra coisa’. Surge na tevê o rosto de uma jovem, possivelmente estudante, olhando o bicho e, de certa forma, confundindo as coisas: ‘Estou deslumbrada! Ele foi o começo de tudo, né?’.

Agora a repórter Sandra está diante da câmera: ‘O gigante de Uberaba faz dessa cidade mineira a ‘capital nacional do dinossauro’. Essa descoberta é resultado da maior escavação de fósseis já feita no Brasil. A reportagem segue com dimensões e características do gigantão. Para calçar sua matéria em fontes dignas de respeito, Sandra Passarinho entrevista duas pessoas: o professor Ismar de Souza Carvalho, paleontólogo da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autor brasileiro do artigo que revelou o achado do Uberabatitan – e Luiz Carlos Borges Ribeiro, este um geólogo de Uberaba cuja presença, naquele ato, é a terceira grande coincidência em volta do dinossauro gigante: Luiz Carlos cresceu na mesma casa do homem – coronel Zé Caetano – que fez sozinho (e repetiu por cinco anos seguidos), em sua Fazenda Cassu, a exposição de zebu de Uberaba, até que, em 1911, ela passou a ser feita pela prefeitura e depois (a partir de 1934) pelo que é hoje a ABCZ. Coronel Zé Caetano é seu bisavô.

 

Osso do uberabatitan que a máquina de terraplanagem quebrou ao meio

‘É emocionante a ideia de que eu, quando menino, andei a cavalo, ou a pé, no mesmo lugar onde viveram os nossos titans, que são hoje o meu assunto principal…’, diz Luiz Carlos. O geólogo Luiz Carlos não estava no lançamento do Uberabatitan no Rio por causa da coincidência de ser bisneto daquele bisavô nem por nenhuma questão de família. Estava lá simplesmente porque ao maior dinossauro brasileiro foi dado seu nome.

De fato, a identidade do bichão que chegava a ter 20 metros de comprimento (5 a 6 de altura, peso de 15 toneladas ou mais) é Uberabatitan ribeiroi. ‘Uberaba’ para indicar o lugar onde foi achado; ‘titan’ por se tratar de um titanossauro (esses dinos herbívoros de pata de elefante e pescoço comprido) e ‘ribeiroi’, em homenagem a Luiz Carlos Borges Ribeiro, que foi quem encontrou, escavou e recolheu os fósseis que vieram a constituir o maior dinossauro brasileiro.

Aí pinta outra grande coincidência: em 2004 (dois anos antes do primeiro centenário da exposição pioneira de 1906 na Fazenda Cassu), as obras de duplicação da Rodovia Uberaba-Uberlândia tiveram de fazer um corte nas encostas da Serra da Galga, na altura do Posto Cachucha. ‘Uma tarde’, conta Luiz Carlos, ‘eu vinha de Uberlândia quando, logo após o posto, notei ainda presa na rocha uma vértebra de dinossauro. Nítida, inconfundível. Parei admirado, procurei o responsável, acertei logo o jeito de coletar aquele material…’ Luiz Carlos era então (e ainda é) chefe do Museu Paleontológico de Peirópolis, mais conhecido como Museu dos Dinossauros, sendo Peirópolis um distrito rural de Uberaba na rodovia para Belo Horizonte, a 15 minutos da cidade. Quando fala da descoberta do Uberabatitan, ele vacila, suspira, entristece.

Na década de 40, a primeira parada da Mogiana, que, saindo de São Paulo, passava por Uberaba, seguia para Uberlândia (e daí para o sertão de Goiás), era na estação Mangabeira, nome esse devido à Fazenda Mangabeira, então parte da Fazenda Cassu do coronel Zé Caetano.

Assim que saía de Uberaba, o trem cruzava o rio e passava perto da sede da Fazenda Mangabeira, daí tendo de vencer a serrinha, uma subida íngreme, já no contrapé da Serra da Galga. Na ida, quase que o vapor não dava; na volta a composição ganhava velocidade perigosa. Luiz Carlos puxa na memória: ‘Me lembro da minha mãe contar de um trem que descarrilou na serrinha e assombrou o povo da época. O trem ali era perigo constante’. A Mogiana decide então, em 1945, fazer um desvio, para a linha de ferro ficar em terreno mais plano. Quando começa o serviço de dinamite para abrir caminho na rocha (uma continuação da Serra da Galga), ainda nas terras de Zé Caetano, a equipe da ferrovia dá com estranho achado: uns ossos enormes, petrificados. ‘Então acontece um fato cheio de brio e de honra, como a gente vê muito pouco hoje em dia’, comenta Luiz Carlos. ‘O engenheiro responsável manda recolher aquele material e providencia para que algum especialista tome conhecimento.’ (Normalmente, o que ocorre no Brasil quando se encontra material histórico em obras de estradas, pontes, construções, hidrelétricas é que os responsáveis procuram esconder o achado, ‘para evitar burocracia e amolação’. Isso é crime contra a ciência, contra o país e contra o direito à cultura de um povo.)

 

Luiz Carlos (à dir.) e dois companheiros da equipe de escavação

A notícia do encontro daqueles ossos na ferrovia em Uberaba cai nas mãos de um americano-gaúcho (de família americana, formado nos Estados Unidos, mas nascido em Santa Maria, RS) que o governo Vargas tinha ido buscar na Universidade de Harvard para criar a legislação de proteção ao patrimônio fóssil nacional, Llewellyn Ivor Price. Não podia ter caído em mão melhor. Price providencia sua ida a Uberaba e ali não só recolhe e embala material para ser mandado para o Rio de Janeiro (onde está até hoje) como instala depois de dois anos, em Peirópolis, uma base de estudos dos fósseis. Peirópolis foi escolhida porque ali – além da estação de trem, que era o principal meio de transporte de então – havia concentração de caieiras, e o trabalho de extrair cal implica a exposição (e quase sempre destruição) de material paleontológico incrustado na pedra calcária. Em seu artigo de ‘lançamento’ do dinossauro gigante de Uberaba na revista Palaeontology, diz o professor Ismar Carvalho: ‘Os titanossauros no Brasil começam a ser conhecidos com esse trabalho de Price e com as peças que ele recolhe na Serra da Galga (nas obras de desvio da linha de ferro)’.

A abertura do novo traçado da Mogiana nas terras de Zé Caetano ia trazer surpresa ainda maior, conta o geólogo Luiz Carlos Ribeiro. ‘Numa das visitas de Price às obras da ferrovia, ele fica sabendo que os funcionários estavam jogando bocha com uma pedra branca e redonda que haviam encontrado num corte da rocha. Price pede para ver a bocha: era um ovo de dinossauro, já sem casca por causa dos choques. Foi o primeiro ovo de dinossauro encontrado na América do Sul.’ Luiz Carlos raciocina: ‘Não dá para afirmar, mas não é impossível tratar-se de um ovo do Uberabatitan que a gente veio descobrir mais de 60 anos depois…’.

(Em outras ocasiões foram encontradas ninhadas com vários ovos, alguns mantidos intactos, tornando-se Uberaba a única região a ter ovos inteiros de dinossauros no Brasil.)

Luiz Carlos Borges Ribeiro ficou órfão aos cinco anos, sua mãe casou-se de novo, com um cunhado, pessoa delicada e cortês. Teve infância normal. Certo dia a família recebeu a visita de um amigo, o físico Roberto Lobo, do Instituto de Física de São Carlos (posteriormente o mais jovem reitor da USP – Universidade de São Paulo), e o cientista manifestou interesse em conhecer Peirópolis.

‘Com 14 anos nessa época’, conta Luiz Carlos, ‘só tinha ouvido falar de dinossauro em filme. Geologia nem sabia o que era e também não tinha ideia de que Peirópolis tivesse alguma importância…’ Por gosto ou não, acabou acompanhando o físico Roberto Lobo na ida a Peirópolis, viu algumas peças com o senhor Langerton Neves, que havia trabalhado com Price nas escavações por mais de 15 anos, conheceu pessoas, ouviu histórias e ficou marcado.’Quatro anos depois, na hora de escolher o vestibular, veio uma luz: Geologia!’

Luiz Carlos fez Geologia na Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte, formou-se no começo dos anos 80. Seu primeiro trabalho foi com petróleo, depois com pesquisa de ouro.

Enquanto fazia sua vida atrás de morros e pedras – sempre encantado com as explicações da geologia sobre a formação da terra e as camadas de rocha que constituem o solo -, acompanhava as notícias que mostravam como Peirópolis – já sendo chamada de Parque Nacional dos Dinossauros – estava se tornando conhecida. Em 1988 vem a ideia de se criar um centro de pesquisas, e nele um museu de dinossauros: a ideia se torna realidade em 1991, já com uma miniestrutura para fazer escavações e objetivos de longo prazo. ‘Aí veio outra vez a mão do destino!’, diz Luiz Carlos. ‘Por exclusão, acabei nomeado diretor de Peirópolis.’

Deu-se que, em 1992, para facilitar a Peirópolis fazer convênios com instituições oficiais (tipo universidades, órgãos do governo, etc.), era preciso que o Núcleo Paleontológico fosse dirigido por um profissional especializado de nível superior. Dos três geólogos que havia então em Uberaba, só Luiz Carlos estava disponível. Sem saber, o geólogo uberabense dava então os primeiros passos rumo ao encontro do nosso dinossauro-zebu. Mas hoje, quando pensa nele, não esconde angústia e apreensão.

 

Um milhão de visitantes já percorreram o museu desde sua abertura, em 1992

Pouca gente faz ideia da dificuldade para funcionar um museu de dinossauro, ligado a uma prefeitura do interior. Por mais que Uberaba tenha tradição cultural e bolsões de riqueza, é uma cidade com problemas como qualquer outra de seu porte. Assim, manter um núcleo de estudos de paleontologia com verba municipal – avidamente disputada por reclamos de saneamento básico, estradas, asfaltamento, postos de saúde, casas populares – depende de muita sabedoria – e coragem -, principalmente do prefeito. Não faltam urubus para aconselhar o pior nem doses de olho gordo e mau agouro.

Com maior ou menor sofrimento, no entanto, o núcleo de Peirópolis foi sendo mantido. Nesse período de Luiz Carlos, o esforço foi sempre buscar recursos complementares em empresas, universidades, agências de fomento de pesquisa, na cidade, no país e até fora dele. Com isso, Peirópolis conheceu um avanço, obtendo, em certa medida, reconhecimento acadêmico e institucional. Não sem muito ardor.

Um amigo que o conhece bem diz do geólogo Luiz Carlos: ‘Ele é uma equação de três Ós e um A (LC = O3 + A). Os três Ós são de Objetivo, Obstinado, Oligopiônico. O A, de Ansioso’. Objetivo é a pessoa que sabe o quer e não enrola; obstinado, o que põe firmeza e tenacidade no que faz; ansioso, o impaciente, intranquilo, excitado. Mas e esse negócio de oligopiônico?!

Por causa da equação de três Ós e um A, Luiz Carlos – mais pelo A – tem dificuldade para relaxar e toma ansiolítico há bom tempo. Talvez por isso, e também porque faz parte de seu trabalho andar a pé e viver subindo em morros e pedreiras, ele é magro. Alto (1,83 metro) e magro. Vem daí o que seu amigo chama de oligopiônico, sendo oligopionia uma escassez de gordura. Apesar de magro, é alegre, risonho, disponível. Quando, porém, se fala da serra de onde saiu o Uberabatitan, o bom-humor acaba.

Para montar sua equipe de escavação em Peirópolis (além de cuidar do laboratório, do museu e do caprichado jardim da Praça dos Dinossauros), Luiz Carlos reforçou o pessoal que havia lá com gente que recrutou no meio rural. ‘Vários aqui são catireiros de bezerro ou retireiros, isso é vantagem. Povo que mexe com criação não estranha dureza.’

Carlos da Silva, o Carlinhos, lutou sempre com vaca de leite. Um dos mais experientes da turma, é assim uma espécie de ‘capataz’. Márcio Humberto, bem mais novo, tem um apelido que não deixa muita dúvida do que faz: Márcio Tatu. Tanto Carlinhos como Tatu participaram (ao lado de outros) do trabalho de escavação do que viria dar no dino gigantão de Uberaba.

 

Detalhe da exposição permanente do museu de Peirópolis

Conta Márcio Tatu: ‘Luiz Carlos veio com a notícia de um fóssil grande na rocha, na beira da rodovia; logo a gente organizou para ir atrás. No primeiro dia fomos quatro, mais o Luiz Carlos, numa Kombi. Levamos as ferramentas normais: ponteiro, alavanca, picareta, pá, enxada, carrinho de mão, martelinho de geólogo, espátula, pincéis, cola. Viagem perdida, a peça estava no alto da escarpa, a uns 18 metros, a gente só a alcançaria com corda, luva, cinturão, argolas, roldanas, enfim, equipamento de rapel, e isso a gente não tinha…’.

O próprio Márcio lembrou que o pessoal da Toca dos Dinossauros, ali mesmo em Peirópolis, dispunha de uma tralha de rapel para oferecer a turistas, Pedem emprestado. ‘Aí, sim, dependurado na rocha, deu para por a mão no osso que, embora tivesse sido quebrado pela escavadeira da obra, ainda era um fóssil imponente’.

Três operações básicas da escavação, segundo Tatu:

1. tirar a rocha de cima da peça para definir direito seu perfil;

2. fazer o ‘cogumelo’, quer dizer, recortar em volta com sobra de mais ou menos um palmo de cada lado;

3. deslocar o bloco de pedra onde o fóssil está incrustado.

Na hora de transportar, uma curtição: ‘A gente tinha uma caixa grande de madeira, retangular, acomodamos lá dentro o bloco com o fêmur, deu uns 70 quilos. Para não balançar, fizemos quatro alças de corda, uma em cada canto da caixa, e fomos em direção à Kombi no passo de quem estivesse carregando um caixão de defunto…’ Depois, já no museu, foi o trabalho de desempoeirar, limpar, classificar, para deixar as peças em condição de ser analisadas por especialistas. No caso das partes que vieram a constituir o dinossauro gigante, os professores que o estudaram foram um argentino – Leonardo Salgado, da Universidade de Comahue, em Neuquén, Argentina – e um brasileiro – Ismar de Souza Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Eles é que descreveram o fóssil, fizeram comparações, designaram gênero (novo), espécie (nova), botaram nome. Além de restos do Uberabatitan, a coleção do Museu de Peirópolis (sem falar do material que está no DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral, no Rio) inclui peças de outros dinos, crocodilos, tartarugas, peixes, rãs, conchas, dino-aves (dinossauros com penas), tudo com cerca de 65 milhões de anos. O professor Ismar Carvalho fala sobre o grupo de Peirópolis: ‘É uma competente equipe de escavação de dinossauros do Brasil, capaz de trabalho continuado e metódico. Talvez a única a operar anos a fio, todos os anos’.

O geólogo Luiz Carlos, quando pensa nisso, entra quase em depressão. A gente vai logo saber porque. Nesses primeiros meses de 2009, quando completa 17 anos à frente de Peirópolis, Luiz Carlos tem boa razão para ir para o museu todos os dias, e outra boa razão para voltar logo para casa. Aqui tem o choro de criança nova (a primeira) e no museu uma tarefa realmente enorme: montar em tamanho natural, com supervisão de um ‘paleoartista’ reconhecido, Carlos Scarpini, a réplica de nosso dinossauro gigante. Da cabeça à ponta do rabo, o maior dos três esqueletos dos dinos gigantes descobertos tinha cerca de 20 metros e mais de cinco de altura, quer dizer, não cabe no museu. ‘Foi viabilizado um edifício aqui em Peirópolis, da Rede Nacional de Paleontologia, e ali será erguido o esqueleto do Uberabatitan, talvez a maior instalação desse gênero no país. Os brasileiros vão ficar orgulhosos de ver o nosso gigante de pescoço comprido…’

Em uma ocasião, o Museu de Peirópolis esteve para fechar, apesar de seu custo fixo relativamente pequeno: R$ 15 mil.

(Algum tempo atrás saiu na imprensa que uma obscura professora de uma obscura universidade federal do Nordeste aposentou-se, ainda jovem, com cerca de 40 mil reais por mês – um salário seu dava para manter Peirópolis por quase três meses… E não se trata de um caso isolado – há numerosas outras aposentadorias ainda mais escandalosas tanto naquela com em outras repartições federais, e também no Judiciário, no Legislativo, nas autarquias, no Ministério Público, nas empresas estatais. Não devemos desanimar: um dia o Brasil se torna um país sério…)

Com ou sem aperto financeiro, a previsão é que a réplica do Uberabatitan possa ser inaugurada agora em maio, para coincidir com a festa anual do zebu. Daí ela poderá ser vista em Peirópolis, na Praça dos Dinossauros, a 15 minutos de Uberaba, ao lado do museu e de frente para uma ‘dino-arte’ do artista uberabense – especialista em escultura de cavalos, bois, jumentos, vaqueiros e agora, também, dinossauros – Northon Fenerich.

(Será essa sua uma escultura do dinossauro-zebu? De qualquer modo, não se trata do Uberabatitan – foi feita antes – e guarda o leiaute comum de um titanossauro de que existem mais de 50 tipos já descritos. Mas, naquele lugar, a escultura ganha um destaque especial.)

No dia da inauguração da réplica do dinossauro gigante brasileiro é quase certo que o geólogo Luiz Carlos veja razão para estar amolado, depressivo…

 

Os dinos nasciam de ovos pouco maiores que os de avestruz

Qual é a razão de tanta angústia? ‘É sina do geólogo comer poeira, estou acostumado…’, diz Luiz Carlos Borges Ribeiro, brincando com sua rotina de viver as horas do dia mexendo com assunto de rocha. Se não está no museu organizando alguma exposição ou plano de coleta de fósseis, está na faculdade onde dá aula de… geologia e paleontologia. Ultimamente, tem viajado, para fazer em vários estados consultoria em projetos de linhas de transmissão elétrica, gasodutos, usinas hidrelétricas, estações de tratamento de esgoto, de modo que essas instalações não destruam possíveis sítios de interesse da ciência. Parte do material salvado nessas obras no Brasil inteiro acaba indo para o Museu de Peirópolis, com que se espera, em algum tempo, ter lá uma bela amostra paleontológica de todo o país.

Aqui ele elogia: ‘Uma face do Brasil de primeiro mundo: antes de quebrar, destruir, ver onde uma linha vai passar e ajeitar o traçado para não prejudicar ninguém e certamente não pôr a perder um local precioso para os cientistas e para a herança cultural do país’.

Ele devia estar alegre com o fato de ter um dinossauro com seu nome – quem não estaria? E com a próxima inauguração de sua réplica, em tamanho natural, no chamado Parque Nacional dos Dinossauros.

Mais alegre ainda por ter podido, numa instituição pequena como o Museu de Peirópolis, fazer um trabalho que resultou em nosso dinossauro gigante e em reconhecimento acadêmico quase geral. No entanto, quando pensa nisso, suspira, quase se entrega. ‘Sabe por quê?’, pergunta ele. ‘Ao mexer em 0,1% do material da Serra da Galga e Peirópolis, a gente encontrou, entre outras coisas, o Uberabatitan e alguns estranhos dinossauros, inclusive um que parece ter penas. Você imaginou o que a gente pode encontrar nos outros 99.9%?’ Respira fundo: ‘Será que vamos dar conta?’.

#Q:O último dinossauro?:#
O Uberabatitan ribeiroi vem rodeado de proezas: é o maior dinossauro brasileiro, aquele cuja réplica foi feita com base em maior número de fósseis encontrados e também o que foi resultado da maior escavação paleontológica já realizada no Brasil. Outra característica daria ao gigantão de Uberaba um novo título: o de ‘o último dos dinossauros’.

Os dinossauros surgiram há mais de 200 milhões de anos, e dominaram o planeta até 65 milhões de anos atrás, quando, em função de uma catástrofe na Terra (possivelmente pela queda de um meteoro e mudanças climáticas globais), foram extintos, em meio a uma destruição de muitas outras espécies – cerca de 70% das viventes naquela época.

A situação geológica em que o Uberabatitan foi encontrado dá a ele uma idade de 65 milhões de anos, isto é, coincidindo com a data do desaparecimento dos dinos. Se essa datação for correta, pode-se dizer: após o Uberabatitan, nenhum outro dinossauro pisou o planeta.

Assim, ele tanto pode ser o último dos dinossauros como o mais novo deles…

 

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3 Comentários

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