A ENGENHARIA BRASILEIRA SE RECUPERA, MAS AINDA PRECISA DE OXIGÊNIO

junho 3rd, 2011

A ENGENHARIA BRASILEIRA SE RECUPERA, MAS AINDA PRECISA DE OXIGÊNIO
Em 2009 publicamos na Folha um artigo alertando que a falta de engenheiros no Brasil e, principalmente, de engenheiros qualificados, poderia representar um sério obstáculo às expectativas positivas de crescimento econômico.
A questão sensibilizou o segmento de Engenharia das instituições de ensino superior (IES), de vários órgãos privados, como a CNI (Confederação Nacional das Indústrias) e governamentais, principalmente a CAPES, que criou um grupo de trabalho especificamente para estudar estratégias de incentivo ao aumento dos diplomados em cursos de Engenharia que oferecessem melhor formação a seus estudantes.
As expectativas positivas de crescimento econômico e a divulgação de informações sobre a falta de engenheiros qualificados no mercado de trabalho fez com que os dados apresentados no Censo da Educação Superior de 2009 já reflitam uma evolução nas tendências de crescimento da Engenharia brasileira em relação ao Censo 2008.

Boa parte desta melhora se deveu ao aumento de vagas oferecidas pelo setor público e pela redução da evasão, tanto nas instituições públicas quanto nas privadas. A evasão anual nos cursos de Engenharia caiu de 23,2% para 16,6% de 2008 para 2009.
Se esta tendência se mantiver nos anos vindouros, é possível que a crise futura seja menor do que a prevista, embora seja preciso alertar que o risco ainda existe.
É previsível que o número de ingressantes nos cursos de engenharia não mantenha o crescimento observado nos últimos anos, porque a grande evasão no ensino básico faz com que o número de alunos que conclui o ensino médio, não só tenha permanecido praticamente constante nos últimos anos, como, em 2009, se igualasse às novas matrículas no ensino superior, cerca de um milhão e setecentos mil. A engenharia cresceu, portanto, porque outros cursos apresentaram queda no número de ingressantes, mas esse fenômeno atingirá certamente um limite no curto prazo.
O aumento no número de formados nos próximos anos dependerá mais de programas de redução da evasão dos alunos já matriculados do que de aumento das matrículas iniciais.
Diversos setores do Governo Federal e da iniciativa privada vêm discutindo a necessidade de criar programas claros de incentivo ao aumento de matrículas e de formados na área.
Os incentivos se fazem necessários pelas características dos cursos de Engenharia, de cinco anos de duração, custos elevados e exigência de grande dedicação por parte dos alunos. Iniciativas governamentais certamente estimulariam a iniciativa privada a seguir o mesmo caminho, potencializando os investimentos realizados.
A sociedade aguarda agora que estes programas sejam efetivados e comecem a dar frutos na mesma velocidade das necessidades de um país que quer tanto avançar mais.

Roberto Leal Lobo e Silva Filho, engenheiro e doutor em física, ex-reitor da USP, Presidente do Instituto Lobo e Diretor do ISITEC (Instituto Superior de Inovação e Tecnologia)

Publicado em Tendências e Debates, Folha de S. Paulo, 14/6/2011

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