Manchete infeliz

julho 30th, 2010

Bastante infeliz a manchete da folha de S. Paulo do dia 30/6: “Em 20 anos, sobe 39% proporção de mortes neonatais”. A manchete não está literalmente errada, mas passa para a opinião pública a falsa impressão de que a situação do neonatal piorou.
É o que a lingua inglesa define como “misleading”. Na verdade, enquanto a mortalidade no primeiro ano de vida caiu de 95.476 para 43.061, no caso da mortalidade neonatal houve uma diminuição de 46.783 para 29.649 por ano. A mortalidade neonatal caiu menos do que a relativa ao primeiro ano de vida mas, ainda assim, foi reduzida em 37%. É um fato positivo e não negativo, como insinua a matéria. A manchete citada é, na minha opinião, deseducativa e o teor da matperia não soube elucidar bem a questão para diminuir o impacto negativo que ela induz.
Para exemplificar, suponhamos que temos 20 moedas das quais 20% são de ouro, ou seja, 4 moedas. Se perdermos 10 moedas (50%) sendo 1 de ouro (25%), a proporção de moedas de ouro passou de 20% do total (4/20) para 30% (3/10), o que não significa que aumentaram as moedas de ouro – aumentou somente a sua proporção. É o mesmo caso da mortalidade infantil! A relavância está na perda das moedas e não no aumento relativo das moedas de ouro.

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